Pernambuco, Ceará, Paraíba,  e Bahia. Dentre as grandes invenções e transformações da música brasileira, as mais influentes vêm de caudalosas precipitações desses quatro Estados.

Idealizado pelo pernambucano Ortinho, o projeto NORDESTE PSICODÉLICO oferece uma das inúmeras leituras possíveis dessas vertentes, com especial recorte do som criado pelos mestres modernos, que juntaram guitarra, sanfona e batuques em viagens alucinantes a partir do final da década de 1960 e com grande força na de 1970. Além de Ortinho e Júnio, responsáveis por um dos muitos roteiros concebíveis de canções marcantes, o elenco do show reúne dois conterrâneos: Isaar e China.

O colorido da música nordestina brasileira é uma cauda aberta em leque, desde a ancestral influência afro-árabe presente no universo mágico dos cantadores de ruas e feiras, nas nações de maracatu, na poesia encantada e ritmada da literatura de cordel, nas paisagens sonoras de Dorival Caymmi que, como as tintas poderosas de Luiz Gonzaga, João do Vale, Jackson do Pandeiro e Capiba, respingaram tanto na matriz do que se chama de MPB (vide Edu Lobo e Chico Buarque) como no manifesto tropicalista de Gilberto Gil, Tom Zé e Caetano Veloso, discípulos da bossa do baiano João Gilberto.

O giro estonteante desse carrossel regional-universal com choque de rock no baião é uma das atrações do parque onde foram brincar compositores-cantores-poetas como Alceu Valença, Moraes Moreira, Raul Seixas, Zé Ramalho, Lula Côrtes, Ednardo, Fagner, Belchior, Marconi Notaro (raramente lembrado), grupos como Novos Baianos, Ave Sangria, The Gentlemen (outra raridade) e Banda de Pífanos de Caruaru. Com “Nordeste Psicodélico”, os artistas participantes realizam uma nova e estimulante síntese de toda essa cadeia que chegou ao mangue beat e segue em evolução constante, com um misto de citações que reverenciam a tradição e do som contemporâneo próprio da personalidade de cada um.

O repertório inclui clássicos e belezas raras e atemporais como “ “Cavalo Ferro” (Ricardo Bezerra/Fagner), “Jardim das Acácias” (Zé Ramalho), “Pavão Mysteriozo” (Ednardo) lindamente reencarnado em Isaar, “Noite Preta” (Alceu Valença/Zé Ramalho/Lula Côrtes), “Cérebro Eletrônico” (Gilberto Gil), temas instrumentais de Ave Sangria, The Gentlemen e Banda de Pífanos de Caruaru.

INTERPRETES: Ortinho, Junio Barreto, China e Isaar

BANDA: Martin Martin (guitarra), Estevan Sinkovitz (guitarra e violão de 12 cordas), Elder o Rocha (bateria e percussão), Mestre Nico (percussão), Rafael Ferrari (baixo), e Marcelo Monteiro (flautas e sax).